Corello DJ, é fruto da mais pura malandragem carioca, oriunda dos morros e das esquinas dos bairros subúrbio do Rio de Janeiro, mas foi na cultura dos bailes que achou seu rumo e construiu seu destino. Negro com muito orgulho, amante inveterado da música de qualidade, sua alma respira black music. E como não podia ser diferente, para quem tem o ‘feeling’ consagrado pelos orixás, o destino lhe reservou a sutileza da profissão de DJ e assim continua até hoje agitando os pés dos dançarinos nas pistas. De sua longa trajetória de vivência nos bailes destacamos alguns marcos importantes:
Como diz a lenda, todo bom DJ já foi bom dançarino, com Corello, não foi diferente, começou sua carreira dançando, assim fez parte da turnê promovida pelo saudoso Ademir Lemos, onde reunia os 10 melhores dançarinos de Soul de todo Brasil em 1973.
Cumprindo o seu destino na frente das pick-ups, como DJ trabalhou nas equipes de som: Brown Nunes, Tropa Bagunça, Vips e Black Filadélfia. Luizinho Dj Soul e Pop Rio. Nesta época, 1976, foi apontado como DJ revelação do ano
Ainda nos anos 70, por volta de 1978, Corello foi o primeiro DJ da zona norte a misturar duas músicas na mesma batida (entre 1978 e 1981 foi eleito melhor DJ por três anos consecutivos). Fazendo valer sua alcunha de “mago das pick-ups”, em 1979 teve a oportunidade mostrar aos DJs das equipes de som de São Paulo, para espanto de muitos, essa "nova" técnica.
Sempre na vanguarda, Corello DJ, em 1980 criou o termo "Charme" para definir um novo caminho do R&B, que privilegiava a harmonia e ritmo cadenciado. Nesta mesma época, chamava atenção sobre elegância entre os ‘charmeiros’, como uma forma consciente de reafirmar a auto-estima entre os negros.
Em 1983, Corello DJ foi tocar no Casino Bangu em meio a uma "guerra" de equipes de som, dessa guerra surgiu a equipe Casino Disco Club, onde assumiu as pick-ups como seu primeiro DJ, que seguiu absoluta no Disco Voador de Marechal Hermes.
Imbuído de espírito empreendedor, em 1984 entra como sócio da Só Mix Disco Club, onde a parceria com Fernandinho DJ na realização dos bailes, só fez crescer ainda mais a influência do ‘Charme’ no Rio de Janeiro. Foi a partir dessa iniciativa que foi possível trazer artistas internacionais do segmento R&B para apresentações no RJ: Sybil, Glen Jones, Curtis Hairston e Omar Chandler.
Mais recentemente do ano de 2012 foi o responsável pela vinda do cantor americano Donell Jones à quadra da Unidos da Tijuca para uma histórica apresentação para 5.000 jovens.



Com a vocação de estar sempre a frente de seu tempo, a partir de 1986, Corello DJ começou a viajar para os E.U.A e Reino Unido, onde dividia seu tempo entre lojas de discos, rádios e ‘sebos’ em busca informação musical editada em livros.(daí a sua compulsão em "estudar" a história da música) e das últimas novidades em vinil.


Privilegiado não só com seu bom gosto musical e técnicas de mixagens, o DJ valeu-se também de sua aveludada voz, fazendo uma bela carreira nas rádios cariocas. Ainda em 1984, estréia na rádio Jovem Rio (depois FM 105) o programa “Mix Mania” (depois “Black Beat”), onde introduziu as vinhetas de rádios americanas e locução diferenciada que hoje é sua marca registrada, ficando no ar até 1991. Em 1995, Corello DJ volta para rádio na famosa RPC FM, que marcou época com os programas “Seis & Dance”, “Classics” e “Black Beat”. E até pouco tempo contagiava a todos na Beat98 FM com o “Black Beat ” e na Globo FM no “Presença Negra”.Como não podia ser diferente, Corello Dj
Ate dezembro de 2015, produziu e programou os canais de áudio da Sky/Net, Claro TV e OI TV à frente de formatos que vão do “Standards” americanos dos anos 50 e 60, passando pelo Jazz clássico, Smooth Jazz e R&B com a maestria de sempre.
Corello dj também é conhecido por falar “fácil” sobre qualquer assunto relacionado a música & mercado fonográfico.
Somente com essas poucas informações sobre sua trajetória, podemos afirmar sem medo de errar, que a história da Black Music no Rio de Janeiro se divide em duas partes, uma antes e outra após o surgimento do Corello DJ. Assim, para todos aqueles que são Djs ou vão curtir uma noite de R&B e Hip Hop em qualquer lugar do Brasil hoje em dia, talvez deveriam pensar, num breve instante de reflexão, que tudo isso poderia ser diferente.